terça-feira, 27 de março de 2012

Rachado

Hoje me vi com uma rachadura. Por esta rachadura escapava um torrente de coisas que não sabia dizer o que era. Pensei em ir ao medico. Sim, fui ao medico. Ele me disse que aquela rachadura estava deixando escapar sentimentos. Perguntei a ele, com certa apreensão, o que poderia remediar tal situação. Ele infelizmente baixou a cabeça e me disse que meu estado era irreversível. Sai daquele local insipido pensando em minha morte, lenta e sozinha.

Cheguei em casa, um tanto desgostoso com a situação, e fui me deitar. Quando acordei, tempos depois, notei que a rachadura aumentou. Os tais sentimentos, coisas estas que se acotovelavam para sair do meu corpo, tomaram parte da minha mente e estavam a me impulsionar em direção a porta de casa, como se quisessem me atirar no mundo. Pensei em resistir mas não foi possível. Me deixei fragilizar por tais sentimentos.

Segui pelas ruas da cidade, guiado pela mão e pela mente pelas entidades que saiam de mim mas não as reconhecia. Por que estou aqui, eu pensava. O que elas querem comigo? A resposta obviamente não chegava. Tal jornada me levou a uma sequencia de momentos passados.

Um destes momentos foi o dia em que, ao lado de uma amiga minha que hoje não mais mora na cidade, me sentei para ver o mar e tomar um sol. Um dos tais sentimentos, o que se chamava Paz, me disse que foi ali que eu me senti em paz comigo mesmo. Foi ali que eu conheci este sentimento.

Fui levado dali para outro local. Cheguei a minha antiga faculdade, aonde em um banco conheci uma menina linda, branca como mármore, de riso frouxo e cabelos esvoaçantes. Neste momento o sentimento da Paixão, muito vibrante, colocou a mão no meu coração e me disse que ali ele havia me tocado pela primeira vez. Eu me senti apaixonado de novo, em um breve lapso de tempo. Chorei.

Dali me desloquei para um pequeno apartamento, aonde mora a mulher da letra N. Tal mulher foi minha namorada, mas hoje estamos afastados. Quando a vi, um trio de sentimentos chegou até mim. Amor, Culpa e Fracasso. O Amor me disse que foi com aquela mulher que comecei a amar alguém de verdade, mas a Culpa e o Fracasso logo interromperam e somente me olharam geladamente. Senti um aperto no peito que muito me doeu. O peso se abateu em mim. Me levantei, mesmo pesado, e segui meu caminho.

Me desloquei até o primeiro local aonde comecei a morar nesta cidade. Quando la cheguei, me vi muito menor e mais fraco, alem de indefeso. Comecei a sentir inexplicavelmente algo muito forte, que quase me matou. A Tristeza se fez presente e disse que era o sentimento que mais sinto na vida. O Ódio e Raiva também logo chegaram, dizendo que eram irmãos da Tristeza. Os três juntos pareciam titãs imensos, implacáveis em suas vontades e virtualmente indestrutíveis. Suas vozes ressonavam em uníssono. Diziam que foi ali que comecei a criar as rochas que hoje me cobrem. Diziam que foi ali que me perdi para os sentimentos bons. Senti que eles não eram culpados, mas que algum dia terei que derrota-los.

Quando voltei para casa, vi sentado no sofá a Solidão, que logo me abraçou como se não houvesse amanhã. Abracei ela de voltei e pude lhe entender. Ela me disse que eu a sinto todos os dias, que é a unica parceria que tenho. Quase me deixe levar por tal coisa, mas antes disso, a Amizade interferiu, dizendo que não estava completamente sozinho. Mesmo longe, vi cada um dos meus amigos em algum momento comigo. Isso me deu um alivio.

Lembro-me de ter procurado a tal Felicidade, que dizem ser o sentimento mais belo de todos. Perguntei aos sentimentos se eles tinha visto a Felicidade. Todos eles olharam para mim, de forma avergonhada, e disseram que a Felicidade estava ausente. Perguntei o por que. Eles não conseguiram me responder.

Desde então, estou a procura da Felicidade, o ultimo dos sentimentos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O corredor


Hoje me vi em um corredor. Ele fedia a urina e morte lenta. Quase uma especie de purgatório na Terra, pude sentir o calor nauseante. A decadência se encontrava em toda a parte. A cor azul que lhe é atribuído mal disfarça a aura negra de doença e pestilencia presente. Havia varias macas espalhadas por entre as artérias deste vil local, mas não eram seres humanos que ali sem encontravam prostrados. Eram sombras. Almas em busca de alivio para seu sofrimento. Restos alquebrados de uma população carente por saúde. Ali a corrupção dos demônios queima como mil fogueiras, prontas para calcinar os restos de carne e osso, para assim se alimentarem e se manterem gordos e pecadores.

sábado, 17 de março de 2012

Azar

Azar. Palavra recorrente no meu parco vocabulário. Azar. Verifico alguns dias que tenho muito azar. Mas será? Não creio. Muito do meu azar é algo que crio através da minha burrice ou falta de senso de ridículo. Muito do meu azar é claramente auto infligido. Eu sou parcialmente culpado de uma profecia que se auto repete e assim alimenta meu parco sentido de realidade e de sabotagem da minha própria vida.

Mas até mesmo um ignorante na arte de previsão poderia analisar que algumas coisas são exatamente azar puro e simples, em sua mais potente versão, sem que eu tenha nenhum tipo de ação para ajudar tal força inexorável.

Existem realmente os tais dias de azar. Posso dizer que passei por um hoje. Fatalmente esse dia se iniciou com um azar auto infligido, devido a minha inépcia em determinar dificuldade de certos desafios (ou simplesmente não fazer uma merda flagrantemente clara). Culpa somente minha. Infelizmente o dia se desenrolou em outros fatos agourentos em que minha capacidade de evita-los era nula. Eles simplesmente aconteceram.

Fatalmente, como me disse alguma pessoa de passageira relevância neste dia: Este tipo de coisa serve para a gente aprender. Concordo, serve para a gente aprender. Mas por que o aprendizado sempre tem que ser sofrido? será que é a vida dizendo que somente desta forma aprenderei? ou simplesmente essa frase serve como um consolo deveras fútil?

Como se diz: errar é humano, insistir no erro é burrice

segunda-feira, 12 de março de 2012

Egoismo

Viver muitas vezes é uma atividade egoísta. Muitos não vão querer admitir e vão dizer coisas como "Você é um monstro" ou "Você não tem alma" e coisas do tipo. Felizmente, estou longe de ser qualquer coisa que me digam.

Digo por experiencia própria que, quando me foco em mim e na minha vida, as coisas se acertam. Infelizmente, quando tento incluir pessoas na minha vida, as coisas saem dos trilhos. Talvez seja minha intensidade em fazer as coisas de forma ou 8 ou 80.

Alguns estilos de vida, por exemplo, exigem que você se foque muito mais em si do que em qualquer outra coisa ou pessoa. Talvez esse seja o sacrifício em prol da excelência, talvez isso seja a tal falada obsessão de algumas pessoas em relação a um objetivo especifico.

Acho que, como em qualquer situação, as pessoas devem fazer escolhas e escolhas, e pagar por estas escolhas.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Viúva Negra

Viúva negra, aqui estou diante de ti. Sei do perigo que é estar aqui contigo. Sei que tu es mulher fatal, que seduz os homens e depois os mata, se livrando deles como quem se isto fosse um fato natural, um fato corriqueiro. Sei que cada passo em direção a ti pode ser o ultimo, mas a adrenalina da situação entorpeceu meus sentidos. Somente consigo ir em frente, em busca de um fugaz momento de prazer e paixão antes do meu ultimo suspiro. Talvez minha coragem seja minha ruína, mas não consigo e nem quero escapar da tua atração.

Ó mulher aranha, me leve contigo para sua teia!

segunda-feira, 5 de março de 2012

O tempo de esperar...


Hoje é o tempo de esperar,
esperar que as mudanças cheguem,
para que assim a realidade
se modifique para melhor

Hoje é tempo de esperar,
não criar expectativas irreais,
evitar a impaciência,
deixar as peças se encaixarem

Hoje é tempo de esperar
aquele momento único,
em que duas almas únicas
se encontram em ressonância

Hoje é tempo de esperar,
para que o que foi
verdadeiramente se vá
e o novo seja importante